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Anschluss

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Anschluss
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Cidadãos austríacos reúnem-se na Heldenplatz para ouvir a declaração de anexação de Hitler
Data12 de março de 1938; há 88 anos (1938-03-12)
LocalViena, Estado Federal da Áustria
TipoAnexação
ParticipantesAdolf Hitler
Arthur Seyss-Inquart
Wehrmacht
ResultadoAlemanha viola o Artigo 80 do Tratado de Versalhes
Extinção da Áustria como Estado soberano
Marca Oriental estabelecida
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Território do Reich Alemão e da Áustria antes do Anschluss

O Anschluss (alemão: [ˈʔanʃlʊs] (escutar), ou Anschluß,[1][a]; literalmente, "junção" ou "conexão"), também conhecido como Anschluß Österreichs (pronúncia, "anexação da Áustria"), foi a anexação do Estado Federal da Áustria pela Alemanha Nazista em 12 de março de 1938.[2]

A ideia de um Anschluss (uma Áustria e uma Alemanha unidas que formariam uma "Grande Alemanha")[b] surgiu depois que a unificação da Alemanha em 1871 excluiu a Áustria e os alemães austríacos do Império Alemão dominado pela Prússia. A ideia ganhou apoio após a queda do Império Austro-Húngaro em 1918. A nova República da Áustria Alemã tentou formar uma união com a Alemanha, mas o Tratado de Saint-Germain-en-Laye de 1919 e o Tratado de Versalhes proibiram tanto a união quanto a continuidade do uso do nome "Áustria Alemã" (Deutschösterreich); os tratados também retiraram da Áustria alguns de seus territórios, como a Região dos Sudetas. Isso deixou a Áustria sem a maior parte dos territórios que havia governado durante séculos e em meio a uma crise econômica.

Na década de 1920, a proposta do Anschluss tinha forte apoio tanto na Áustria quanto na Alemanha,[4] especialmente entre muitos cidadãos austríacos da esquerda e do centro políticos. Um defensor fervoroso era o proeminente líder social-democrata Otto Bauer, que foi ministro das Relações Exteriores da Áustria entre 1918 e 1919.[5] O apoio à unificação com a Alemanha decorria principalmente da crença de que a Áustria, privada de suas terras imperiais, não era economicamente viável.[6] O apoio popular à unificação diminuiu com o tempo, embora a ideia permanecesse presente no discurso político austríaco contemporâneo.[7]

Em 30 de janeiro de 1933, o líder do Partido Nazista, Adolf Hitler, foi nomeado chanceler da Alemanha. A partir de então, o desejo de unificação pôde ser identificado com o regime nazista, para o qual era parte integrante do conceito nazista de Heim ins Reich ("de volta para casa, ao Reich"), que buscava incorporar o maior número possível de Volksdeutsche (alemães étnicos fora da Alemanha) a uma "Grande Alemanha".[8] Agentes da Alemanha Nazista cultivaram tendências favoráveis à unificação na Áustria e procuraram enfraquecer o governo austríaco, controlado pela Frente Patriótica, que se opunha à união. Durante uma tentativa de golpe em julho de 1934, o chanceler austríaco Engelbert Dollfuss foi assassinado por nazistas austríacos. A derrota do golpe levou muitos dos principais nazistas austríacos ao exílio na Alemanha, de onde continuaram seus esforços para unificar os dois países.

Em 5 de novembro de 1937, Hitler informou a seus assessores militares que anexaria a Áustria e a Checoslováquia ao Reich Alemão, e forçou uma reunião com o chanceler austríaco Kurt Schuschnigg. Embora Schuschnigg considerasse a Áustria um "Estado alemão", opunha-se firmemente à anexação ao Grande Reich Germânico. Seu compromisso com a soberania austríaca foi levado ao limite em 12 de fevereiro de 1938, durante uma tensa reunião com Adolf Hitler em Berchtesgaden. Sob ameaça de invasão militar, Schuschnigg aceitou um ultimato devastador: nomear Arthur Seyss-Inquart, destacado integrante do Nazismo Austríaco, ministro do Interior e da Segurança ou enfrentar graves consequências. Em 9 de março de 1938, Schuschnigg anunciou de forma desafiadora que seria realizado, em 13 de março, um referendo para decidir entre uma possível união com a Alemanha e a manutenção da soberania austríaca. Schuschnigg esperava obter uma maioria clara para enfrentar o desafio nazista, mas, em 11 de março, Hitler, novamente sob ameaça de ocupação alemã, exigiu o cancelamento do referendo e a renúncia imediata de Schuschnigg. Cedendo à pressão e à agitação de facções nazistas alemãs e austríacas, Schuschnigg renunciou, obrigando o presidente austríaco Wilhelm Miklas a nomear, relutantemente, Seyss-Inquart como seu sucessor. Poucas horas depois de assumir o cargo, Seyss-Inquart "convidou" Hitler e o Exército Alemão a atravessar a fronteira para "restabelecer a ordem" na Áustria em 12 de março, sem oposição das forças austríacas. Um plebiscito foi realizado em 10 de abril, resultando oficialmente em 99,7% de aprovação.[9]

Antecedentes históricos

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A Confederação Germânica, 1815–1866

Antes de 1918

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A ideia de agrupar todos os alemães em um único Estado-nação foi objeto de debate no século XIX, desde a dissolução do Sacro Império Romano-Germânico em 1806 até o fim da Confederação Germânica em 1866. A Áustria defendia uma Großdeutsche Lösung ("solução da Grande Alemanha"), pela qual os Estados alemães se uniriam sob a liderança da Casa de Habsburgo austríaca. Essa solução teria incluído todos os Estados alemães — inclusive as regiões não alemãs da Áustria —, mas a Prússia teria de aceitar um papel secundário. A controvérsia, conhecida como dualismo, dominou a diplomacia austro-prussiana e a política dos Estados alemães em meados do século XIX.[10]

Em 1866, a disputa chegou ao fim durante a Guerra Austro-Prussiana, na qual os prussianos derrotaram os austríacos e, com isso, excluíram o Império Austríaco e os alemães austríacos da Alemanha. O estadista prussiano Otto von Bismarck formou a Confederação da Alemanha do Norte, que incluía a maior parte dos demais Estados alemães, exceto alguns no sudoeste das terras habitadas por alemães, e ampliou ainda mais o poder do Reino da Prússia. Bismarck utilizou a Guerra Franco-Prussiana (1870–1871) para convencer os Estados alemães do sudoeste, entre eles o Reino da Baviera, a se alinharem com a Prússia contra o Segundo Império Francês. Em razão da rápida vitória prussiana na Batalha de Sedan, o debate foi encerrado e, em 1871, formou-se o Império Alemão "Kleindeutsch", baseado na liderança de Bismarck e da Prússia, excluindo a Áustria.[11] Além de assegurar a predominância prussiana sobre uma Alemanha unificada, a exclusão da Áustria também garantiu que a Alemanha tivesse uma expressiva maioria protestante. A exclusão dos alemães austríacos e da Áustria levou o líder do Partido Social-Democrata da Áustria, Otto Bauer, a afirmar que o dilema era "o conflito entre nosso caráter austríaco e alemão".[12]

O Compromisso austro-húngaro de 1867, o Ausgleich, estabeleceu uma soberania dual entre o Império Austríaco e o Reino da Hungria, sob Francisco José I da Áustria. Esse império diversificado incluía numerosos grupos étnicos, entre eles húngaros, povos eslavos como bósnios,[13] croatas, tchecos, poloneses, rutenos, sérvios, eslovacos, eslovenos e ucranianos, além de italianos e romenos governados por uma minoria alemã.[14] O império gerava tensões entre os diferentes grupos étnicos. Muitos pangermanistas austríacos demonstravam lealdade a Otto von Bismarck[15] e apenas à Alemanha, usavam símbolos que foram temporariamente proibidos nas escolas austríacas e defendiam a dissolução do império para permitir que a Áustria voltasse a se unir à Alemanha, como ocorrera durante a Confederação Germânica de 1815–1866.[16][17] Embora muitos austríacos apoiassem o pangermanismo, muitos outros continuavam leais à Monarquia de Habsburgo e desejavam que a Áustria permanecesse um país independente.[18]

Consequências da Primeira Guerra Mundial

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Mapa da dissolução da Áustria-Hungria em 1918

Erich Ludendorff escreveu ao Ministério das Relações Exteriores da Alemanha em 14 de outubro de 1918 sobre a possibilidade de realizar um Anschluss com as áreas alemãs da Áustria-Hungria, uma vez que sua dissolução eliminaria o problema dos numerosos grupos étnicos do país. O secretário Wilhelm Solf se opôs à proposta, afirmando que ela "daria à Entente uma justificativa para exigir compensações territoriais". Durante a Conferência de Paz de Paris, os franceses procuraram proibir uma união entre Áustria e Alemanha; o ministro das Relações Exteriores francês Stephen Pichon afirmou que era preciso "garantir que a Alemanha não tenha a oportunidade de reconstruir sua força utilizando as populações austríacas que permanecem fora da Checoslováquia, da Polônia e da Iugoslávia". Chegou-se a um compromisso, e o artigo 80 do Tratado de Versalhes declarou que "a Alemanha reconhece e respeitará estritamente a independência da Áustria, dentro das fronteiras que forem fixadas em um tratado entre esse Estado e as principais Potências Aliadas e Associadas; concorda que essa independência será inalienável, salvo com o consentimento do Conselho da Sociedade das Nações".[19]

A opinião das elites e da população na reduzida República da Áustria Alemã após 1918 era, em grande parte, favorável a alguma forma de união com a Alemanha.[20] Uma assembleia nacional provisória austríaca elaborou uma constituição provisória que afirmava que "a Áustria Alemã é uma república democrática" (artigo 1.º) e que "a Áustria Alemã é parte integrante da República Alemã" (artigo 2.º). Plebiscitos posteriores nas províncias fronteiriças austríacas do Tirol e de Salzburgo produziram maiorias de 98% e 99% a favor da unificação com a República de Weimar. Outros plebiscitos foram então proibidos. Erich Bielka observou, contudo, que os plebiscitos foram marcados por fraude eleitoral e manipulação dos eleitores e, portanto, não refletiam a opinião geral austríaca daquele momento:[21][22]

Além da maciça campanha de propaganda e da nada insignificante influência alemã do Reich, cédulas de voto "Ja" [sim] eram previamente impressas e disponibilizadas nas seções eleitorais, e as cédulas tinham de ser entregues a um funcionário eleitoral, comprometendo o sigilo do voto. Além disso, as regras de elegibilidade dos eleitores foram concebidas de maneira liberal e, portanto, abertas a abusos. Não apenas aqueles registrados para as eleições do Nationalrat de outubro de 1920 podiam votar, mas também os que se registrassem como residentes no Tirol antes de abril de 1921, isto é, menos de duas semanas antes da votação, assim como todos os tiroleses que viviam fora do estado; chegou-se inclusive a fretar um trem da Baviera para reduzir o ônus financeiro da viagem de "volta para casa".[21]

Após a proibição de um Anschluss, alemães tanto na Áustria quanto na Alemanha apontaram uma contradição no princípio nacional da autodeterminação, pois os tratados não concediam autodeterminação aos alemães étnicos — como os alemães austríacos e os Alemães dos Sudetos — que viviam fora do Reich Alemão.[23][24] Hugo Preuss, redator da Constituição de Weimar, criticou os esforços para impedir um Anschluss; para ele, a proibição contrariava o princípio wilsoniano da autodeterminação dos povos.[25]

As constituições da República de Weimar e da Primeira República Austríaca incluíam o objetivo político da unificação, amplamente apoiado pelos partidos. No início da década de 1930, o governo austríaco estudou a possibilidade de uma união aduaneira com a República Alemã em 1931. No fim, entretanto, o patriotismo regional mostrou-se mais forte do que o sentimento pangermânico.[21] No Império Austríaco, cada Kronland possuía seu próprio governo funcional e desfrutava de considerável autonomia em relação a Viena, com "cada um voltado para sua própria capital".[21] Segundo Jody Manning, a ideia de unificação com a Alemanha não era esmagadoramente popular entre a população austríaca em 1919, o que constitui uma das razões pelas quais nenhum referendo nacional foi realizado, mesmo antes de sua proibição pela Entente:

Apesar das estatísticas inicialmente convincentes, em termos gerais parece duvidoso que uma maioria qualificada de austríacos tivesse apoiado o Anschluss com a Alemanha. Pelas escassas evidências disponíveis, parece que o movimento pró-Anschluss poderia esperar apenas uma pequena maioria em caso de plebiscito, e não os 75% necessários, e que o número de partidários do Anschluss em 1919 não ultrapassava 50% da população. Até Otto Bauer, líder do Partido Social-Democrata, teve de admitir que tanto a burguesia quanto o campesinato queriam "uma Áustria independente plenamente capaz de uma vida nacional própria". Também é reveladora a admissão de Bauer de que, devido à força da oposição conservadora ao Anschluss e à possibilidade real de a maioria votar contra ele, os socialistas não ousaram realizar um referendo em 1919.[21][26]

O terceiro governo de Raymond Poincaré tentou impedir um Anschluss incorporando a Áustria a uma Confederação Danubiana em 1927. O ministro das Relações Exteriores alemão Gustav Stresemann se opôs, pois via a iniciativa como uma tentativa de recriar o Império Austro-Húngaro, e ofereceu a formação de uma união aduaneira com a Áustria. O chanceler austríaco Ignaz Seipel, contrário ao Anschluss, rejeitou a oferta. Em setembro de 1929, Seipel foi substituído por Johannes Schober, que adotou uma política pró-alemã e tentou formar uma união aduaneira. Uma crise política e econômica ligada à Grande Depressão levou Schober a perder o poder em 30 de setembro de 1930, e Seipel retornou ao governo como ministro das Relações Exteriores. As negociações foram retomadas depois que Otto Ender se tornou chanceler e concluídas com o ministro das Relações Exteriores alemão Julius Curtius em 5 de março de 1931, antes de serem aprovadas pela Alemanha em 18 de março. A França se opôs à união aduaneira, afirmando que ela violava o artigo 88 do Tratado de Saint-Germain-en-Laye.[27]

Alemanha Nazista, Itália Fascista e Áustria

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Mapa militar alemão durante a Segunda Guerra Mundial, sem fronteira entre Alemanha e Áustria (canto superior direito; a Alsácia também aparece como parte da Alemanha por ter sido incorporada diretamente ao Reich)

Quando os nazistas, liderados por Adolf Hitler, chegaram ao poder na República de Weimar, o governo austríaco se afastou dos vínculos econômicos com a Alemanha. Assim como a Alemanha, a Áustria sofreu a turbulência econômica decorrente da Grande Depressão, com elevado desemprego e comércio e indústria instáveis. Durante a década de 1920, era alvo de capital de investimento alemão. Em 1937, o rápido rearmamento alemão aumentou o interesse de Berlim em anexar a Áustria, rica em matérias-primas e mão de obra. O país fornecia à Alemanha magnésio e produtos das indústrias siderúrgica, têxtil e mecânica. Possuía reservas de ouro e divisas estrangeiras, muitos trabalhadores qualificados desempregados, centenas de fábricas ociosas e grande potencial hidrelétrico.[28]

Hitler, alemão austríaco de nascimento,[29][c] assimilou desde jovem ideias nacionalistas alemãs. Em 12 de setembro de 1919, enquanto observava uma reunião do Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP) no Sterneckerbräu como agente político e de inteligência da Reichswehr, Hitler envolveu-se em uma acalorada discussão política com um visitante, o professor Adalbert Baumann, que propôs que a Baviera se separasse da Prússia e fundasse uma nova nação no Sul da Alemanha junto com a Áustria. Ao atacar os argumentos do homem de maneira vigorosa e hábil, Hitler impressionou os demais membros do partido com sua capacidade oratória e, segundo o próprio Hitler, o "professor" deixou o salão reconhecendo inequivocamente sua derrota.[31] Impressionado com Hitler, Anton Drexler, então presidente do DAP, convidou-o a ingressar no partido. Hitler aceitou em 12 de setembro de 1919,[32] tornando-se o 55.º membro.[33] Depois de se tornar líder do DAP, Hitler discursou para uma multidão em 24 de fevereiro de 1920 e, numa tentativa de atrair parcelas mais amplas da população alemã, o DAP foi rebatizado como Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP).[34]

Como primeiro ponto, o Programa Nacional-Socialista de 1920 declarava: "Exigimos a unificação de todos os alemães na Grande Alemanha com base no direito dos povos à autodeterminação". Hitler argumentou, em um ensaio de 1921, que o Reich Alemão tinha uma única tarefa: "incorporar os dez milhões de alemães-austríacos ao Império e destronar os Habsburgos, a dinastia mais miserável que já governou".[35] Os nazistas pretendiam reunir todos os alemães que haviam nascido no Reich ou viviam fora dele, a fim de criar um Reich "de todos os alemães". Hitler escreveu em Mein Kampf (1925) que criaria uma união entre seu país natal, a Áustria, e a Alemanha por quaisquer meios necessários.[36]

A Primeira República Austríaca foi dominada, a partir do final da década de 1920, pelo Partido Social-Cristão (CS), cujas políticas econômicas se baseavam na encíclica papal Rerum Novarum. A Primeira República desintegrou-se gradualmente em 1933, quando o parlamento foi dissolvido e o poder foi centralizado no cargo de chanceler, autorizado a governar por decreto. Partidos rivais, inclusive os nacional-socialistas austríacos, foram proibidos, e o governo evoluiu para um regime corporativista de partido único que combinava o CS e a organização paramilitar Heimwehr. O regime controlava as relações trabalhistas e a imprensa. A nova ordem enfatizava os elementos católicos da identidade nacional austríaca e se opunha firmemente à união com a Alemanha Nazista.

Engelbert Dollfuss e seu sucessor, Kurt Schuschnigg, recorreram à Itália de Benito Mussolini como fonte de inspiração e apoio. Mussolini apoiava a independência da Áustria, em grande parte por temer que Hitler acabasse pressionando pela devolução de territórios italianos que haviam sido governados pela Áustria. A política italiana favorável à Áustria foi por vezes comparada à situação de um século antes: se antes da unificação a Itália fora um joguete da Áustria, agora a Áustria reduzida seria um joguete da Itália. Mussolini mobilizou tropas italianas para o Passo do Brennero após a tentativa de golpe que incluiu o assassinato de Dollfuss em 1934. Posteriormente, a Itália formou com Grã-Bretanha e França uma frente comum contra o rearmamento alemão no início de 1935, no contexto da retirada alemã da Conferência Internacional de Desarmamento: a Frente de Stresa.[37]

Contudo, a Frente de Stresa entrou em colapso depois que o Ministério das Relações Exteriores francês assinou o pacto franco-soviético no início de 1935 e a Grã-Bretanha reagiu assinando o Acordo Naval Anglo-Germânico com a Alemanha. Assim, quando a tentativa dos ministros do Pacto de Stresa — Samuel Hoare, pela Grã-Bretanha, e Pierre Laval, pela França — de apaziguar a Itália concedendo-lhe parte da Etiópia após a invasão de Mussolini em outubro de 1935 vazou para uma imprensa indignada e foi retirada, Mussolini passou a necessitar de apoio em outro lugar na Etiópia (ver Segunda Guerra Ítalo-Etíope), e a Alemanha estava pronta para fornecê-lo. Depois de receber a garantia pessoal de Hitler de que a Alemanha não buscaria concessões territoriais da Itália, Mussolini aproximou-se de Berlim numa relação iniciada com a formação do Eixo Berlim–Roma em 1936 e formalizada como aliança militar pelo Pacto de Aço em 1939. Em 1938, a anexação da Áustria já provocava pouco descontentamento italiano, dada a preocupação da Itália com a Guerra Civil Espanhola e sua relativa reconciliação com a Alemanha, sobretudo com o ministro das Relações Exteriores pró-alemão, conde Galeazzo Ciano, cuja nomeação em 1936 foi descrita como o "golpe de misericórdia na Áustria independente".[38]

Da Guerra Civil Austríaca ao Anschluss

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Soldados das Forças Armadas Austríacas em Viena, 12 de fevereiro de 1934

O Partido Nazista Austríaco não conquistou nenhuma cadeira nas eleições gerais de novembro de 1930, mas sua popularidade cresceu na Áustria depois que Hitler chegou ao poder na Alemanha. A ideia de o país se unir à Alemanha também ganhou popularidade, em parte graças a uma campanha de propaganda nazista que usava slogans como Ein Volk, ein Reich, ein Führer ("Um povo, um império, um líder") para tentar convencer os austríacos a defender um Anschluss com o Reich Alemão.[39] O Anschluss poderia ter ocorrido por um processo democrático se os nazistas austríacos não tivessem iniciado uma campanha de terrorismo. Segundo John Gunther, em 1936, "em 1932 a Áustria era provavelmente oitenta por cento pró-Anschluss".[40]

Quando a Alemanha permitiu que residentes da Áustria votassem em 5 de março de 1933, três trens especiais, barcos e caminhões levaram tamanhas multidões a Passau que a SS organizou uma recepção cerimonial.[41] Gunther escreveu que, ao fim de 1933, a opinião pública austríaca sobre a anexação alemã era pelo menos 60% contrária.[40] Em 25 de julho de 1934, o chanceler Dollfuss foi assassinado por nazistas austríacos durante um golpe fracassado. Depois disso, importantes nazistas austríacos fugiram para a Alemanha, mas continuaram defendendo a unificação de lá. Os nazistas austríacos restantes prosseguiram com ataques terroristas contra instituições governamentais austríacas, que causaram 164 mortes e 636 feridos entre 1933 e 1938.[42]

O sucessor de Dollfuss foi Kurt Schuschnigg, que seguiu uma linha política semelhante à de seu antecessor. Em 1935, Schuschnigg utilizou a polícia para reprimir simpatizantes nazistas. As ações policiais sob seu governo incluíam reunir nazistas — e social-democratas — e mantê-los em campos de internamento. Entre 1934 e 1938, a Áustria enfatizou sua própria história e se opôs à absorção pela Alemanha Nazista, segundo a ideia de que os austríacos eram "alemães superiores". Schuschnigg chamou a Áustria de "melhor Estado alemão", mas teve dificuldades para mantê-la independente.

Numa tentativa de tranquilizar Schuschnigg, Hitler discursou no Reichstag e afirmou: "A Alemanha não pretende nem deseja interferir nos assuntos internos da Áustria, anexar a Áustria ou concluir um Anschluss".[43]

No verão de 1936, Schuschnigg disse a Mussolini que seu país precisava chegar a um acordo com a Alemanha. Em 11 de julho de 1936, assinou um acordo com o embaixador alemão Franz von Papen, pelo qual concordava em libertar nazistas presos na Áustria, enquanto a Alemanha prometia respeitar a soberania austríaca.[40] Nos termos do tratado austro-alemão, a Áustria declarou-se um "Estado alemão" que sempre seguiria a liderança da Alemanha em política externa, e membros da "Oposição Nacional" puderam ingressar no gabinete; em troca, os nazistas austríacos prometeram encerrar os ataques terroristas contra o governo. Isso não satisfez Hitler, e os nazistas austríacos pró-alemães continuaram se fortalecendo.

Em setembro de 1936, Hitler lançou o Plano Quadrienal, que previa um aumento drástico dos gastos militares e pretendia tornar a Alemanha tão autárquica quanto possível, com o objetivo de preparar o Reich para uma guerra mundial até 1940.[44] O Plano Quadrienal exigia enormes investimentos nas siderúrgicas Reichswerke, um programa para desenvolver petróleo sintético que logo excedeu muito o orçamento e programas para produzir mais produtos químicos e alumínio; o plano previa a substituição de importações e a racionalização da indústria para atingir seus objetivos, política que fracassou completamente.[44] À medida que o Plano Quadrienal ficava cada vez mais atrasado em relação às metas, Hermann Göring, chefe do órgão responsável pelo plano, passou a pressionar por um Anschluss como forma de garantir o ferro e outras matérias-primas austríacas e solucionar os problemas do programa.[45] O historiador britânico Ian Kershaw escreveu:

Acima de tudo, foi Hermann Göring, então próximo do auge de seu poder, quem, muito mais do que Hitler, durante todo o ano de 1937 tomou a iniciativa e pressionou com maior intensidade por uma solução rápida e radical para a "Questão Austríaca". Göring não estava simplesmente agindo como agente de Hitler em assuntos relacionados à "Questão Austríaca". Sua abordagem diferia em aspectos importantes de ênfase [...] Mas as concepções gerais de política externa de Göring, que ele impulsionou em grande medida por iniciativa própria em meados da década de 1930, baseavam-se mais nos conceitos pangermânicos tradicionais de política de poder nacionalista para alcançar hegemonia na Europa do que no dogmatismo racial central à ideologia de Hitler.[45]

Göring tinha muito mais interesse do que Hitler na devolução das antigas colônias alemãs na África, acreditava até 1939 na possibilidade de uma aliança anglo-alemã — ideia abandonada por Hitler no fim de 1937 — e queria toda a Europa Oriental na esfera de influência econômica alemã.[46] Göring não compartilhava o interesse de Hitler pelo Lebensraum ("espaço vital"); para ele, bastaria manter a Europa Oriental dentro da esfera econômica alemã.[45] Nesse contexto, anexar a Áustria à Alemanha era fundamental para incorporar a Europa Oriental à desejada Grossraumwirtschaft ("grande espaço econômico") de Göring.[46]

Diante dos problemas do Plano Quadrienal, Göring tornou-se a voz mais insistente na Alemanha em defesa de um Anschluss, mesmo sob o risco de perder uma aliança com a Itália.[47] Em abril de 1937, num discurso secreto diante de um grupo de industriais alemães, Göring afirmou que a única solução para os problemas em atingir as metas de produção de aço estabelecidas pelo Plano Quadrienal era anexar a Áustria, que, segundo ele, era rica em ferro.[47] Göring não deu uma data para o Anschluss, mas, considerando que todas as metas do Plano Quadrienal deveriam ser alcançadas até setembro de 1940 e os problemas então existentes com a produção de aço, suas palavras sugeriam que desejava uma anexação num futuro muito próximo.[47]

Fim da Áustria independente

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Partidários de Schuschnigg fazem campanha pela independência da Áustria em março de 1938, pouco antes do Anschluss

Hitler disse a Goebbels, no fim do verão de 1937, que a Áustria acabaria tendo de ser tomada "pela força".[48] Em 5 de novembro de 1937, Hitler convocou uma reunião com o ministro das Relações Exteriores Konstantin von Neurath, o ministro da Guerra, marechal de campo Werner von Blomberg, o comandante do Exército, general Werner von Fritsch, o comandante da Kriegsmarine, almirante Erich Raeder, e o comandante da Luftwaffe, Hermann Göring; a reunião foi registrada no Memorando Hossbach. Na conferência, Hitler afirmou que os problemas econômicos estavam fazendo a Alemanha ficar para trás na corrida armamentista com a Grã-Bretanha e a França e que a única solução seria iniciar, num futuro próximo, uma série de guerras para tomar a Áustria e a Checoslováquia, cujas economias seriam saqueadas para dar à Alemanha vantagem na corrida armamentista.[49][50] No início de 1938, Hitler considerava seriamente substituir Papen como embaixador na Áustria pelo coronel Hermann Kriebel, cônsul alemão em Xangai, ou por Albert Forster, Gauleiter de Danzigue.[51] Significativamente, nem Kriebel nem Forster eram diplomatas profissionais: Kriebel fora um dos líderes do Putsch da Cervejaria de 1923 e havia sido nomeado cônsul em Xangai para facilitar seu trabalho como traficante de armas na China, enquanto Forster era um Gauleiter que demonstrara capacidade de se relacionar com os poloneses em seu cargo na Cidade Livre de Danzigue; ambos eram nazistas que haviam demonstrado alguma habilidade diplomática.[51] Em 25 de janeiro de 1938, a polícia austríaca invadiu a sede em Viena do Partido Nazista Austríaco, prendeu o Gauleiter Leopold Tavs, adjunto do capitão Josef Leopold, e descobriu um depósito de armas e planos para um putsch.[51]

Diante da crescente violência e das exigências de Hitler para que a Áustria aceitasse uma união, Schuschnigg encontrou-se com Hitler em Berchtesgaden em 12 de fevereiro de 1938, numa tentativa de evitar a tomada da Áustria. Hitler apresentou-lhe uma série de exigências, entre elas a nomeação de simpatizantes nazistas para posições de poder no governo. A nomeação fundamental era a de Arthur Seyss-Inquart como ministro da Segurança Pública, com controle total e ilimitado da polícia. Em troca, Hitler reafirmaria publicamente o tratado de 11 de julho de 1936 e seu apoio à soberania nacional austríaca. Intimidado e ameaçado por Hitler, Schuschnigg aceitou as exigências e as colocou em prática.[52]

Seyss-Inquart era um antigo simpatizante dos nazistas que buscava a união de todos os alemães num único Estado. Leopold argumenta que ele era um moderado favorável a uma abordagem evolutiva da união. Opunha-se às táticas violentas dos nazistas austríacos, cooperava com grupos católicos e desejava preservar algum grau de identidade austríaca dentro da Alemanha Nazista.[53]

Em 20 de fevereiro, Hitler pronunciou um discurso no Reichstag, transmitido ao vivo e, pela primeira vez, retransmitido também pela rede de rádio austríaca, a ORF. Uma frase central do discurso, dirigida aos alemães que viviam na Áustria e na Checoslováquia, dizia: "O Reich Alemão já não está disposto a tolerar a opressão de dez milhões de alemães além de suas fronteiras".[54]

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O regime de Dollfuss e Schuschnigg lutou para manter a Áustria como país independente.

Schuschnigg anuncia um referendo

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Em 3 de março de 1938, socialistas austríacos ofereceram apoio ao governo de Schuschnigg em troca de concessões políticas, como a legalização da imprensa socialista, a devolução de fundos confiscados e "o levantamento da proibição do uso de distintivos social-democratas, da exibição de bandeiras e estandartes social-democratas e do canto de canções social-democratas".[55] Schuschnigg concordou com as exigências e passou a contar com o apoio de uma frente unida de socialistas e comunistas, bem como do Heimwehr, de grupos monarquistas e da maioria da polícia austríaca. Os social-democratas também declararam estar dispostos a apoiar Schuschnigg em caso de plebiscito, sob a condição de que, imediatamente depois, fossem iniciadas negociações definitivas para incluí-los no governo.[56] Esse apoio levou Schuschnigg a anunciar o referendo. Segundo Peter R. Knaur, a Alemanha acreditava que uma derrota na votação era provável e, por isso, enviou homens a Viena para impedir ou alterar o plebiscito. Knaur escreveu: "Os nazistas supostamente admitiram que tinham o apoio de apenas vinte por cento dos votos potenciais do país".[57]

Em 9 de março de 1938, diante de tumultos provocados pelo pequeno, porém virulento, Partido Nazista Austríaco e das crescentes exigências alemãs sobre a Áustria, o chanceler Kurt Schuschnigg convocou um referendo — um plebiscito — sobre a questão, a ser realizado em 13 de março. Enfurecido, em 11 de março Adolf Hitler ameaçou invadir a Áustria e exigiu a renúncia do chanceler von Schuschnigg e a nomeação do nazista Arthur Seyss-Inquart como seu substituto. O plano de Hitler era que Seyss-Inquart solicitasse imediatamente a entrada de tropas alemãs em auxílio da Áustria, supostamente para restaurar a ordem e conferir aparência de legitimidade à invasão. Diante da ameaça, Schuschnigg informou Seyss-Inquart de que o plebiscito seria cancelado.

Para garantir uma grande maioria no referendo, Schuschnigg desmontou o Estado de partido único. Concordou em legalizar os social-democratas e seus sindicatos em troca do apoio deles à votação.[8] Também fixou a idade mínima para votar em 24 anos, excluindo os eleitores mais jovens, entre os quais o movimento nazista era mais popular.[58] Em contraste, Hitler havia reduzido a idade eleitoral nas eleições alemãs realizadas sob o domínio nazista, em grande parte para compensar a retirada de judeus e outras minorias étnicas do eleitorado alemão após a promulgação das Leis de Nuremberg em 1935.

O plano fracassou quando ficou claro que Hitler não permaneceria inerte enquanto a Áustria declarasse sua independência por votação popular. Hitler declarou que o referendo seria marcado por grandes fraudes e que a Alemanha jamais o aceitaria. Além disso, o Ministério da Propaganda alemão divulgou notícias de que tumultos haviam começado na Áustria e de que grandes parcelas da população austríaca pediam a entrada de tropas alemãs para restaurar a ordem. Schuschnigg respondeu imediatamente que as notícias de tumultos eram falsas.[59]

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Seyss-Inquart e Hitler, com Himmler e Heydrich à direita, em Viena, março de 1938

Hitler enviou um ultimato a Schuschnigg em 11 de março, exigindo que entregasse todo o poder aos nazistas austríacos ou enfrentasse uma invasão. O ultimato deveria expirar ao meio-dia, mas foi prorrogado por duas horas. Sem esperar uma resposta, Hitler já havia assinado, à uma da tarde, a ordem para enviar tropas à Áustria.[60] Ainda assim, o Führer alemão subestimou sua oposição.

O jornalista Edgar Ansel Mowrer, correspondente em Paris da CBS News, observou: "Não há ninguém em toda a França que não acredite que Hitler invadiu a Áustria não para realizar um plebiscito genuíno, mas para impedir que o plebiscito planejado por Schuschnigg demonstrasse ao mundo inteiro quão pouco domínio o nacional-socialismo realmente tinha sobre aquele pequeno país".[61]

Schuschnigg buscou desesperadamente apoio à independência austríaca nas horas seguintes ao ultimato. Ao perceber que nem a França nem a Grã-Bretanha estavam dispostas a oferecer ajuda, renunciou na noite de 11 de março, mas o presidente Wilhelm Miklas recusou-se a nomear Seyss-Inquart chanceler. Às 20h45, cansado de esperar, Hitler ordenou que a invasão começasse ao amanhecer de 12 de março, independentemente do que acontecesse.[62] Por volta das 22h, um telegrama forjado foi enviado em nome de Seyss-Inquart solicitando tropas alemãs, pois ele ainda não era chanceler e, portanto, não poderia fazê-lo por conta própria. Seyss-Inquart só foi empossado chanceler depois da meia-noite, quando Miklas se resignou ao inevitável.[60][8] Na transmissão de rádio em que anunciou sua renúncia, Schuschnigg afirmou que aceitara as mudanças e permitira aos nazistas assumir o governo "para evitar o derramamento de sangue fraterno [Bruderblut]".[63] Seyss-Inquart foi nomeado chanceler depois da meia-noite de 12 de março.

Diz-se que, depois de ouvir a Sétima Sinfonia de Bruckner, Hitler exclamou: "Como alguém pode dizer que a Áustria não é alemã? Existe algo mais alemão do que nossa antiga e pura essência austríaca?"[64]

Tropas alemãs entram na Áustria

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Trecho do cinejornal da UFA "Entrada alemã na Áustria"
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Multidões comemoram a chegada dos nazistas a Viena
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Hitler atravessa a fronteira para a Áustria em março de 1938
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Hitler anuncia o Anschluss na Heldenplatz, em Viena, em 15 de março de 1938

Na manhã de 12 de março de 1938, o 8.º Exército da Wehrmacht alemã atravessou a fronteira com a Áustria. As tropas foram recebidas por austríacos que as saudavam com gestos nazistas, bandeiras nazistas e flores.[d] A "invasão" sem disparos foi, por isso, apelidada de Blumenkrieg ("Guerra das Flores"). Alguns observadores contemporâneos duvidaram da autenticidade dessa recepção extasiada: Friedrich Reck-Malleczewen, conservador alemão antinazista, registrou em seu diário:

Enxames de garotas da Liga das Moças Alemãs de Berlim foram enviados para cá por enquanto, e elas acenam em êxtase para as colunas de tanques que retumbam pelas velhas ruas. Na próxima edição da Berliner Illustrierte Zeitung, serão retratadas como "Moradoras locais que saudaram seus libertadores alemães com ovações entusiasmadas" [...]. Conhecemos muito bem o talento de Goebbels para a encenação.[66]

Para a Wehrmacht, a invasão foi o primeiro grande teste de sua maquinaria. Embora as forças invasoras fossem mal organizadas e a coordenação entre as unidades fosse deficiente, isso teve pouca importância porque o governo austríaco havia ordenado às Forças Armadas Austríacas que não resistissem.[67]

Naquela tarde, Hitler, em um automóvel, atravessou a fronteira em sua cidade natal, Braunau am Inn, acompanhado por uma guarda de 4.000 homens.[61] À noite, chegou a Linz, onde recebeu uma recepção entusiasmada. Cerca de 250.000 austríacos se reuniram em Linz para encontrar Adolf Hitler e apoiar o Anschluss.[68] O entusiasmo demonstrado em relação a Hitler e aos alemães surpreendeu nazistas e não nazistas, pois a maioria acreditava que a maior parte dos austríacos se opunha ao Anschluss.[69][70] Muitos alemães tanto da Áustria quanto da Alemanha acolheram o Anschluss por considerá-lo a conclusão do complexo e há muito adiado processo de unificação de todos os alemães em um só Estado.[71] Em 13 de março, Seyss-Inquart anunciou a revogação do artigo 88 do Tratado de Saint-Germain-en-Laye, que proibia a unificação da Áustria com a Alemanha, e aprovou a substituição dos estados austríacos por Reichsgaue.[69] A tomada da Áustria demonstrou novamente as ambições territoriais agressivas de Hitler e, mais uma vez, a incapacidade dos britânicos e franceses de agir contra ele por violar o Tratado de Versalhes. A falta de disposição dos dois países o encorajou a novas agressões.[72]

A viagem de Hitler pela Áustria transformou-se em uma turnê triunfal que culminou em Viena em 15 de março de 1938, quando cerca de 200.000 alemães austríacos reuniram-se, em comemoração, na Heldenplatz (Praça dos Heróis) para ouvi-lo dizer: "A mais antiga província oriental do povo alemão será, a partir deste momento, o mais novo baluarte do Reich Alemão".[73] Em seguida, descreveu como sua "maior realização" a conclusão da anexação da Áustria para formar um Grande Reich Alemão: "Como líder e chanceler da nação e do Reich alemães, anuncio agora à história alemã a entrada de minha pátria no Reich Alemão".[74][75] Mais tarde, Hitler comentou: "Certos jornais estrangeiros disseram que caímos sobre a Áustria com métodos brutais. Só posso dizer: nem mesmo na morte eles conseguem parar de mentir. Ao longo de minha luta política conquistei muito amor de meu povo, mas, quando atravessei a antiga fronteira [com a Áustria], fui recebido por uma corrente de amor como nunca havia experimentado. Não viemos como tiranos, mas como libertadores".[76]

Hitler afirmou, em uma observação pessoal sobre o Anschluss: "Eu próprio, como Führer e chanceler, terei a felicidade de caminhar sobre o solo do país que é minha terra natal como cidadão alemão livre".[77][78]

A popularidade de Hitler atingiu um nível sem precedentes depois que ele realizou o Anschluss, por ter concretizado a antiga ideia de uma Grande Alemanha. Bismarck não escolhera incluir a Áustria na unificação alemã de 1871, e havia apoio genuíno ao Anschluss entre alemães tanto na Áustria quanto na Alemanha.[71]

Popularidade do Anschluss

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As forças de Hitler reprimiram toda a oposição. Antes que o primeiro soldado alemão cruzasse a fronteira, Heinrich Himmler e alguns oficiais da Schutzstaffel (SS) desembarcaram em Viena para prender importantes representantes da Primeira República, como Richard Schmitz, Leopold Figl, Friedrich Hillegeist e Franz Olah. Durante as poucas semanas entre o Anschluss e o plebiscito, as autoridades prenderam social-democratas, comunistas, outros potenciais dissidentes políticos e judeus austríacos, encarcerando-os ou enviando-os para campos de concentração. Em poucos dias após 12 de março, 70.000 pessoas haviam sido presas. A estação ferroviária noroeste de Viena, então desativada, foi convertida num campo de concentração improvisado.[79] O historiador americano Evan Burr Bukey advertiu que o resultado do plebiscito deve ser considerado com "grande cautela".[80] O plebiscito esteve sujeito a propaganda nazista em larga escala e à supressão do direito de voto de cerca de 360.000 pessoas — 8% da população apta a votar —, principalmente adversários políticos, como antigos membros de partidos de esquerda, e cidadãos austríacos de origem judaica ou romani.[81][82][83][80]

O apoio dos austríacos ao Anschluss era ambivalente; a população austríaca não teve escolha e foi submetida a ampla intimidação e repressão da oposição política, pois, no momento do plebiscito, a anexação da Áustria já era um fait accompli, uma vez que o exército alemão havia ocupado o país e o integrado à Alemanha.[84] O historiador americano Evan Bukey argumenta que havia um sentimento nacionalista alemão genuíno na Áustria entre pelo menos uma parcela da população e que os que nutriam sentimentos antissemitas estavam mais do que dispostos a "cumprir seu dever" no "Grande Reich Alemão".[85] Bukey também afirma que, como o líder do Partido Social-Democrata da Áustria Karl Renner e o mais alto representante da Igreja Católica Romana na Áustria, o cardeal Theodor Innitzer, apoiaram o Anschluss, aproximadamente dois terços dos austríacos poderiam ter votado a favor dele.[80]

De modo semelhante, o historiador austríaco Gerhard Botz afirmou que os nazistas não falsificaram os resultados do referendo e estimou que os votos favoráveis ficaram entre 90% e 99%. Além da tomada do poder já consumada e da intimidação da população pelo terror, Botz sustenta que os apoios do cardeal Innitzer e de Karl Renner abriram caminho para o nacional-socialismo nos campos católico-conservador e socialista, que juntos correspondiam a dois terços da população. Botz argumenta ainda que austríacos desempregados apoiaram o Anschluss por se beneficiarem do programa alemão de seguro-desemprego, que lhes oferecia posições deixadas vagas pela expulsão de judeus austríacos; observa também que a propaganda nacional-socialista enfatizava que o desemprego praticamente havia sido eliminado na Alemanha e apelava a sentimentos nacionalistas ao mesmo tempo em que construía um inimigo interno por meio do antissemitismo.[86]

Em sentido contrário, Julie Thorpe observa que apoios como o de Renner "não constituem, por si sós, evidência de amplas simpatias pangermânicas entre a população trabalhadora austríaca".[87] O historiador britânico Donny Gluckstein observa que os socialistas austríacos reagiram com "repulsa" ao apoio de Renner ao Anschluss, provocando uma divisão no SPÖ. Círculos de esquerda austríacos se opuseram vigorosamente ao Anschluss, e a declaração de Renner levou muitos a migrar para os Socialistas Revolucionários sob Otto Bauer ou para o KPÖ.[88] A relevância do apoio de Innitzer também é contestada: segundo relatos, ele era "desprezado" pelos trabalhadores austríacos,[89] e o Anschluss provocou protestos católicos na Áustria sob o lema "Nosso Führer é Cristo" — e não Hitler.[88]

Segundo o historiador austríaco Alfred D. Low, uma das razões pelas quais a Alemanha não permitiu que o plebiscito fosse realizado pelo governo austríaco foi o temor do regime nazista de ser derrotado nas urnas; Low afirma que, em 1938, havia "apoio majoritário à independência da Áustria".[90] Karina V. Korostelina também destaca o fator repressivo, escrevendo que os nazistas "começaram imediatamente a executar judeus, bem como os austríacos que se opunham abertamente ao Anschluss".[91] O cientista político Eric Voegelin, que fugiu da Áustria pouco depois do Anschluss, escreveu que "não havia muita dúvida de que, em 1938, a maioria dos austríacos não era favorável a uma união com a Alemanha".[92]

Segundo o historiador húngaro Oszkár Jászi, escrevendo em 1938, a ideia do Anschluss enfrentava oposição na maior parte dos círculos políticos da Áustria. Jászi observou que "a aniquilação do movimento trabalhista alemão mostrou ao socialismo austríaco o que poderia esperar de um Anschluss sob domínio nazista", enquanto "o catolicismo austríaco percebeu qual seria seu destino sob um sistema que esmagara o grande partido católico da Alemanha, o Zentrum".[93] A ideia também era rejeitada por outros grupos, como os judeus austríacos, bem como por "antigos oficiais e funcionários habsburgos e uma parcela considerável do capitalismo austríaco". A maioria dos autores contemporâneos estimava que cerca de dois terços dos austríacos desejavam que a Áustria permanecesse independente.[93]

Não se sabe quantos austríacos, em particular, eram contrários ao Anschluss, mas apenas uma "expressão infeliz" de um austríaco em público quando os alemães entraram no país teria sido registrada.[94] Segundo alguns relatórios da Gestapo, apenas um quarto a um terço dos eleitores austríacos em Viena era favorável ao Anschluss.[95] Na maioria das áreas rurais, sobretudo no Tirol, o apoio era ainda menor.[96] Segundo Evan Burr Bukey, não mais do que um terço dos austríacos jamais apoiou plenamente o nazismo durante a existência da Alemanha Nazista.[97] Segundo estimativas do governo austríaco, com a idade eleitoral mínima de 24 anos, cerca de 70% dos austríacos teriam votado pela preservação da independência do país.[56] O historiador tcheco-americano Radomír Luža estimou que entre 65% e 75% dos austríacos apoiavam a continuidade da independência austríaca.[98] Estimava-se que aproximadamente um quarto da população austríaca apoiava o NSDAP.[56]

Os nazistas recém-instalados transferiram, em dois dias, o poder para a Alemanha, e tropas da Wehrmacht entraram na Áustria para impor o Anschluss. No mês seguinte, os nazistas realizaram um plebiscito controlado (Volksabstimmung) em todo o Reich, pedindo à população que ratificasse o fait accompli, e alegaram que 99,7561% dos votos na Áustria foram favoráveis.[99][100]

Embora os Aliados estivessem comprometidos com o cumprimento do Tratado de Versalhes e do Tratado de Saint-Germain-en-Laye, que proibiam especificamente a união entre Áustria e Alemanha, sua reação foi apenas verbal e moderada. Não houve confronto militar, e até as vozes mais firmes contra a anexação, sobretudo a França e a Grã-Bretanha, permaneceram em paz. O protesto verbal mais intenso foi feito pelo governo do México.[101]

A Alemanha, que sofria com escassez de aço e uma fraca balança de pagamentos, obteve minas de minério de ferro nos Alpes de Ennstal e 748 milhões de RM nas reservas do banco central austríaco, mais que o dobro de suas próprias reservas em dinheiro.[69] Nos anos seguintes, algumas contas bancárias foram transferidas da Áustria para a Alemanha como "contas de propriedade inimiga".[102]

Perseguição aos judeus

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Imediatamente após o Anschluss, judeus de Viena foram forçados a lavar dos pavimentos da cidade slogans favoráveis à independência

A campanha contra os judeus começou imediatamente após o Anschluss. Eles foram conduzidos pelas ruas de Viena, e suas casas e lojas foram saqueadas. Homens e mulheres judeus foram obrigados a apagar slogans favoráveis à independência pintados nas ruas de Viena antes do plebiscito cancelado de 13 de março.[103][104] Atrizes judias do Theater in der Josefstadt foram obrigadas a limpar banheiros pela SA. O processo de arianização começou, e em poucos meses os judeus foram expulsos da vida pública.[105] Esses acontecimentos atingiram o auge no pogrom da Noite dos Cristais, em 9–10 de novembro de 1938. Todas as sinagogas e casas de oração de Viena foram destruídas, assim como as de outras cidades austríacas, entre elas Salzburgo. O Stadttempel foi o único a sobreviver devido à sua localização numa área residencial, que impedia que fosse incendiado. A maioria das lojas judaicas foi saqueada e fechada. Mais de 6.000 judeus foram presos durante a noite, e a maioria foi deportada para o Campo de concentração de Dachau nos dias seguintes.[106] As Leis de Nuremberg passaram a valer na Áustria em maio de 1938 e foram posteriormente reforçadas por inúmeros decretos antissemitas. Os judeus foram gradualmente privados de suas liberdades, impedidos de exercer quase todas as profissões, excluídos de escolas e universidades e obrigados a usar a estrela amarela a partir de setembro de 1941.[107]

Os nazistas dissolveram organizações e instituições judaicas, esperando forçar os judeus a emigrar. Seus planos foram bem-sucedidos: até o fim de 1941, 130.000 judeus haviam deixado Viena, dos quais 30.000 foram para os Estados Unidos. Deixaram para trás todos os seus bens, mas foram obrigados a pagar o Reich Flight Tax, um imposto aplicado a todos os emigrantes da Alemanha Nazista; alguns receberam apoio financeiro de organizações internacionais de auxílio para conseguir pagá-lo. A maioria dos judeus que permaneceram em Viena acabou vítima do Holocausto. Dos mais de 65.000 judeus vienenses deportados para campos de concentração, menos de 2.000 sobreviveram.[108]

Referendo

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Cédula de votação de 10 de abril de 1938. O texto da cédula diz: "Você concorda com a reunificação da Áustria com o Reich Alemão, realizada em 13 de março de 1938, e vota no partido de nosso líder Adolf Hitler?" O círculo grande está identificado como "Sim" e o menor como "Não"

O Anschluss entrou imediatamente em vigor por meio de um ato legislativo em 13 de março, sujeito à ratificação por um referendo. A Áustria tornou-se a província da Marca Oriental (Ostmark), e Seyss-Inquart foi nomeado governador. O referendo foi realizado em 10 de abril e registrou oficialmente o apoio de 99,7% dos eleitores.[83]

Embora os historiadores concordem que os votos foram contados corretamente, o processo não foi livre nem secreto. Funcionários ficavam diretamente ao lado das cabines de votação e recebiam a cédula pessoalmente, em contraste com o voto secreto, no qual a cédula é depositada numa urna fechada. No referendo de 10 de abril, 73,3% dos votos em Innervillgraten foram favoráveis ao Anschluss, a menor proporção entre todos os municípios austríacos.[109]

A Áustria permaneceu parte da Alemanha até o fim da Segunda Guerra Mundial. Um governo provisório nas zonas ocupadas pelos Aliados na Áustria declarou o Anschluss "null und nichtig" (nulo e sem efeito) em 27 de abril de 1945.[110] A partir de então, a Áustria foi reconhecida como um país separado, embora permanecesse dividida em zonas de ocupação e sob controle da Comissão Aliada até 1955, quando o Tratado do Estado Austríaco restaurou sua soberania.

Reações

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Os primeiros dias da Áustria sob o controle da Alemanha Nazista foram marcados por contradições: ao mesmo tempo que o regime de Hitler começou a reforçar seu controle sobre todos os aspectos da sociedade, iniciando prisões em massa enquanto milhares de austríacos tentavam fugir, outros austríacos comemoravam e recebiam as tropas alemãs que entravam no país.

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Entrada do pátio das garagens do campo de concentração de Mauthausen

Em março de 1938, o Gauleiter local de Gmunden, na Alta Áustria, discursou aos austríacos da região e afirmou claramente que todos os "traidores" da Áustria seriam enviados ao recém-inaugurado campo de concentração de Mauthausen.[111] O campo tornou-se conhecido por sua crueldade e brutalidade. Durante sua existência, estima-se que cerca de 200.000 pessoas tenham morrido, metade delas mortas diretamente.[111]

O sentimento anticigano foi inicialmente aplicado de maneira particularmente severa na Áustria: entre 1938 e 1939, os nazistas prenderam cerca de 2.000 homens ciganos, enviados para o Dachau, e 1.000 mulheres ciganas, enviadas para Ravensbrück.[112] A partir de 1939, os ciganos austríacos tiveram de se registrar junto às autoridades locais.[113] Os nazistas começaram a publicar artigos associando os ciganos à criminalidade.[113] Até 1942, distinguiam entre "ciganos puros" e "Mischlinge ciganos" ("mestiços" ou "meio-sangues").[114] Entretanto, pesquisas raciais nazistas afirmavam que 90% dos ciganos tinham ascendência mista. Posteriormente, os nazistas ordenaram que eles fossem tratados no mesmo nível que os judeus.[114]

Após o rompimento das negociações sobre a posição da Igreja Católica na Áustria, o cardeal Theodor Innitzer, figura política do Partido Social Cristão, foi intimidado a apoiar o Anschluss depois de ser agredido.[115] A Rádio Vaticano, porém, transmitiu uma forte condenação da ação alemã, e o cardeal Eugenio Pacelli, futuro Papa Pio XII e então Secretário de Estado do Vaticano, ordenou que Innitzer se apresentasse em Roma. Antes de encontrar o papa, Innitzer reuniu-se com Pacelli, que ficara indignado com sua declaração. Pacelli ordenou-lhe que se retratasse; Innitzer foi obrigado a assinar uma nova declaração, emitida em nome de todos os bispos austríacos, segundo a qual: "A declaração solene dos bispos austríacos [...] claramente não pretendia ser uma aprovação de algo que não era e não é compatível com a lei de Deus".[116] Ao descrever a reação da Igreja ao Anschluss, o historiador Ronald J. Rychlak escreveu:

A Rádio Vaticano transmitiu imediatamente uma veemente condenação do Anschluss e da reação da Igreja Católica austríaca. [...] Em 21 de outubro, em uma de suas últimas aparições públicas, Pio XI atacou pessoalmente Hitler, comparando-o a Juliano, o Apóstata (o imperador romano Flávio Cláudio Juliano), que tentou "atribuir aos cristãos a responsabilidade pela perseguição que ele próprio desencadeara contra eles".[117]

O jornal do Vaticano informou que a declaração anterior dos bispos havia sido emitida sem aprovação de Roma. O Vaticano condenou o nazismo em seu jornal L'Osservatore Romano e proibiu os católicos de seguir suas ideias ou apoiar o Anschluss.[118] Em 11 de março de 1938, um dia antes da ocupação da Áustria pela Wehrmacht, a Arquidiocese de Viena fez um apelo aos austríacos: "Como cidadãos austríacos, defendemos e lutamos por uma Áustria livre e independente".[119]

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"Escadas da Morte" em Mauthausen, onde prisioneiros eram obrigados a carregar blocos de granito pelos 186 degraus até o alto da pedreira

Robert Kauer, presidente da pequena comunidade luterana da Áustria, saudou Hitler em 13 de março como "salvador dos 350.000 protestantes alemães na Áustria e libertador de cinco anos de sofrimento". Karl Renner, o mais conhecido social-democrata da Primeira República, anunciou seu apoio ao Anschluss e conclamou todos os austríacos a votar a favor dele em 10 de abril.[96]

A resposta internacional ao Anschluss foi publicamente moderada. The Times comentou que, trezentos anos antes, a Escócia havia se unido à Inglaterra por meio dos Atos de União de 1707 e que o acontecimento não seria muito diferente. Em 14 de março, o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain falou sobre a "situação austríaca" na Câmara dos Comuns. Ele observou que o embaixador britânico em Berlim se opusera ao uso de "coerção, apoiada pela força", que minaria a independência da Áustria. No mesmo discurso, Chamberlain afirmou: "O fato concreto é que nada poderia ter impedido o que efetivamente aconteceu [na Áustria], a menos que este país e outros países estivessem preparados para usar a força".[120] Chamberlain informou ao Comitê de Política Externa que o Anschluss não alteraria a política europeia do Governo Nacional.[121]

Em 18 de março de 1938, o governo alemão comunicou ao secretário-geral da Sociedade das Nações a incorporação da Áustria.[122] No dia seguinte, em Genebra, o delegado mexicano no Escritório Internacional do Trabalho, Isidro Fabela, fez um protesto enérgico, mais forte que os expressos pelos países europeus,[123] denunciando a anexação da Áustria pela Alemanha Nazista.[124][125]

Significado de Anschluss

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A palavra Anschluss pode ser traduzida adequadamente como "junção", "ligação", "unificação" ou "união política". Em contraste, a palavra alemã Annektierung (anexação militar) não foi usada, e ainda hoje não é comumente usada, para descrever a união entre Áustria e Alemanha em 1938. A palavra Anschluss já era amplamente empregada antes de 1938 para designar uma incorporação da Áustria à Alemanha. Chamar a incorporação da Áustria à Alemanha de Anschluss, isto é, de "unificação" ou "junção", também fez parte da propaganda usada pela Alemanha Nazista em 1938 para criar a impressão de que a união não havia sido imposta. Hitler descreveu a incorporação da Áustria como uma Heimkehr, um retorno ao lar original.[126] A palavra Anschluss permaneceu em uso desde 1938.

Algumas fontes, como a Encyclopædia Britannica, descrevem o Anschluss como uma "anexação",[127] e não como uma união.

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Mapa mostrando as mudanças nas fronteiras da Alemanha em 1933 (vermelho), 1939 (rosa) e 1943 (laranja)

Mudanças na Europa Central

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O Anschluss esteve entre os primeiros grandes passos do desejo de Hitler, nascido na Áustria, de criar um Grande Reich Alemão que abrangesse todos os alemães étnicos e todas as terras e territórios que o Império Alemão havia perdido após a Primeira Guerra Mundial. Embora a Áustria tivesse uma população predominantemente de origem alemã e tivesse integrado o Sacro Império Romano-Germânico até sua dissolução, em 1806, e a Confederação Germânica[128] até 1866, após a derrota na Guerra Austro-Prussiana, nunca fizera parte do Império Alemão. A unificação alemã conduzida por Otto von Bismarck criou em 1871 essa entidade dominada pela Prússia, excluindo explicitamente a Áustria, rival prussiana pela predominância entre os Estados alemães.[129]

Antes de anexar a Áustria em 1938, a Alemanha Nazista havia remilitarizado a Renânia, e a região do Sarre fora devolvida à Alemanha após quinze anos de ocupação por meio de um plebiscito. Após o Anschluss, Hitler voltou-se contra a Tchecoslováquia, provocando uma crise internacional que levou ao Acordo de Munique, em setembro de 1938, pelo qual a Alemanha Nazista obteve o controle da industrializada Região dos Sudetas, de população majoritariamente alemã. Em março de 1939, Hitler desmantelou a Tchecoslováquia ao reconhecer a independência da Eslováquia e transformar o restante do país em um protetorado. No mesmo ano, o Território de Memel foi devolvido pela Lituânia.

Com o Anschluss, a República da Áustria deixou de existir como Estado independente. No fim da Segunda Guerra Mundial, um Governo Provisório Austríaco, liderado por Karl Renner, foi formado por conservadores, social-democratas e comunistas em 27 de abril de 1945, quando Viena já havia sido ocupada pelo Exército Vermelho. O governo anulou o Anschluss naquele mesmo dia e foi legalmente reconhecido pelos Aliados nos meses seguintes. Em 1955, o Tratado do Estado Austríaco restabeleceu a Áustria como Estado soberano.

Segunda República

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Declaração de Moscou

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A Declaração de Moscou de 1943, assinada pelos Estados Unidos, pela União Soviética e pelo Reino Unido, incluía uma "Declaração sobre a Áustria", que afirmava:

Os governos do Reino Unido, da União Soviética e dos Estados Unidos da América concordam que a Áustria, o primeiro país livre a tornar-se vítima da agressão hitlerista, deverá ser libertada do domínio alemão.

Eles consideram nula e sem efeito a anexação imposta à Áustria pela Alemanha em 15 de março de 1938. Não se consideram de forma alguma vinculados por quaisquer mudanças efetuadas na Áustria desde aquela data. Declaram desejar ver restabelecida uma Áustria livre e independente e, assim, abrir caminho para que o próprio povo austríaco, bem como os Estados vizinhos que enfrentarão problemas semelhantes, encontrem a segurança política e econômica que constitui a única base para uma paz duradoura.

Recorda-se à Áustria, entretanto, que ela tem uma responsabilidade, da qual não pode se eximir, por sua participação na guerra ao lado da Alemanha hitlerista, e que, no acordo final, sua própria contribuição para a libertação será inevitavelmente levada em consideração.[130][131]

A Declaração de Moscou teria tido uma história de elaboração um tanto complexa.[132] A declaração destinava-se sobretudo a servir de propaganda para estimular a resistência austríaca. Embora alguns austríacos tenham ajudado judeus e sejam reconhecidos como Justos entre as nações, nunca houve uma resistência armada austríaca efetiva comparável à encontrada em outros países da Europa ocupada pela Alemanha nazista.

Apesar da declaração, os Julgamentos de Nuremberga decidiram não classificar a participação no planejamento do Anschluss como crime contra a paz, afirmando, no julgamento de Ernst Kaltenbrunner — que, ainda assim, foi condenado à morte por outros crimes de guerra — que "o Anschluss, embora tenha sido um ato agressivo, não é acusado como guerra de agressão".[133] Na maioria dos casos, essa distinção mostrou-se irrelevante, pois os nazistas responsáveis pelo planejamento do Anschluss ou já estavam mortos quando ocorreram os julgamentos de Nuremberga, ou foram condenados por seu papel no planejamento de invasões de outros países. Arthur Seyss-Inquart[134] e Franz von Papen,[135] em particular, foram ambos acusados no primeiro item da denúncia — conspiração para cometer crimes contra a paz — especificamente por suas atividades de apoio ao Partido Nazista Austríaco e ao Anschluss, mas nenhum foi condenado por esse item. Ao absolver von Papen, o tribunal observou que suas ações constituíam, a seu ver, imoralidades políticas, mas não crimes segundo sua carta constitutiva. Seyss-Inquart foi condenado por outros graves crimes de guerra, em sua maioria cometidos na Polônia e nos Países Baixos, sentenciado à morte e executado.

Identidade austríaca e a "teoria da vítima"

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O "Livro Vermelho-Branco-Vermelho", publicado pelo Ministério das Relações Exteriores austríaco em 1946, descreve os acontecimentos na Áustria entre 1938 e 1945 segundo os fundadores da Segunda República Austríaca

De 1949 a 1988, muitos austríacos encontraram conforto na ideia da Áustria como a primeira vítima dos nazistas (Opferthese). Embora o Partido Nazista tenha sido rapidamente proibido, a Áustria não passou pelo mesmo processo amplo de desnazificação imposto à Alemanha. Sem pressão externa por reformas políticas, setores da sociedade austríaca procuraram durante muito tempo sustentar a interpretação de que o Anschluss havia sido "apenas uma anexação sob a ponta de uma baioneta".[136]

Essa visão dos acontecimentos de 1938 tem raízes profundas nos dez anos de ocupação aliada e na luta para recuperar a soberania austríaca: a "teoria da vítima" teve papel essencial nas negociações com os soviéticos para o Tratado do Estado Austríaco e, invocando a Declaração de Moscou, políticos austríacos apoiaram-se fortemente nela para obter uma solução para a Áustria diferente da divisão da Alemanha em Estados oriental e ocidental separados. O tratado, juntamente com a posterior declaração austríaca de neutralidade permanente, marcou etapas importantes na consolidação da identidade nacional austríaca independente ao longo das décadas seguintes.[137]

Enquanto políticos austríacos de esquerda e direita procuravam reconciliar suas diferenças para evitar o conflito violento que havia marcado a Primeira República, as discussões tanto sobre o nazismo austríaco quanto sobre o papel da Áustria durante a era nazista foram amplamente evitadas. Ainda assim, o Partido Popular Austríaco (ÖVP) defendeu, e continua defendendo, que o estabelecimento da ditadura de Dollfuss foi necessário para preservar a independência austríaca. Por outro lado, o Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) sustenta que a ditadura de Dollfuss privou o país dos recursos democráticos necessários para repelir Hitler; contudo, ignora o fato de o próprio Hitler ser natural da Áustria.[138]

Isso também ajudou os austríacos a desenvolver uma identidade nacional própria. Depois da Segunda Guerra Mundial e da queda da Alemanha Nazista, a ideologia política do pangermanismo caiu em descrédito e hoje é vista como tabu pela maioria das pessoas de língua alemã. Ao contrário do início do século XX, quando não havia uma identidade austríaca claramente separada da alemã, em 1987 apenas 6% dos austríacos se identificavam como "alemães".[139] Uma pesquisa realizada em 2008 constatou que 82% dos austríacos consideravam constituir uma nação própria.[140]

Eventos políticos

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Durante décadas, a teoria da vítima permaneceu praticamente incontestada na Áustria. O público raramente foi obrigado a confrontar o legado da Alemanha Nazista. Uma dessas ocasiões ocorreu em 1965, quando Taras Borodajkewycz, professor de história econômica, fez comentários antissemitas após a morte de Ernst Kirchweger, sobrevivente de campo de concentração morto por um manifestante de direita durante distúrbios. Somente na década de 1980 os austríacos passaram a enfrentar em grande escala as ambiguidades de seu passado. O catalisador para a Vergangenheitsbewältigung — o processo de acerto de contas com o passado — foi o caso Waldheim. Kurt Waldheim, candidato vitorioso nas eleições presidenciais austríacas de 1986 e ex-secretário-geral das Nações Unidas, foi acusado de ter sido membro do Partido Nazista e da Sturmabteilung (SA). Posteriormente, foi absolvido de envolvimento direto em crimes de guerra. O caso Waldheim deu início às primeiras discussões sérias sobre o passado da Áustria e o Anschluss.

Outro fator foi a ascensão de Jörg Haider e do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) na década de 1980. Desde sua fundação, em 1955, o partido combinava elementos da direita pangermânica com liberalismo de livre mercado, mas, depois que Haider assumiu sua presidência em 1986, os elementos liberais tornaram-se cada vez mais marginalizados. Haider passou a empregar abertamente uma retórica nacionalista e anti-imigração. Foi criticado por utilizar a definição völkisch (étnica) do interesse nacional — "Áustria para os austríacos" — e por sua postura apologética em relação ao passado austríaco, notadamente ao chamar integrantes da Waffen-SS de "homens de honra". Após um forte crescimento eleitoral na década de 1990, que culminou nas eleições de 1999, o FPÖ entrou em uma coalizão com o Partido Popular Austríaco (ÖVP), liderado por Wolfgang Schüssel. A formação do governo foi condenada internacionalmente em 2000. A coalizão provocou as regulares Donnerstagsdemonstrationen ("manifestações de quinta-feira") contra o governo, realizadas na Heldenplatz, onde Hitler havia saudado as multidões durante o Anschluss. As táticas e a retórica de Haider, frequentemente criticadas como simpáticas ao nazismo, obrigaram os austríacos a reconsiderar sua relação com o passado. O parceiro de coalizão de Haider, o ex-chanceler Wolfgang Schüssel, reiterou a teoria da "primeira vítima" em uma entrevista de 2000 ao Jerusalem Post.[141]

Literatura

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As discussões políticas e o processo de autorreflexão refletiram-se em outros aspectos da cultura. A última peça de Thomas Bernhard, Heldenplatz (1988), gerou controvérsia antes mesmo de ser encenada, cinquenta anos depois da entrada de Hitler na cidade. Bernhard transformou a eliminação histórica das referências à recepção de Hitler em Viena num símbolo das tentativas austríacas de reivindicar sua história e cultura sob critérios questionáveis. Muitos políticos chamaram Bernhard de Nestbeschmutzer — alguém que "suja o próprio ninho", isto é, prejudica a reputação do próprio país — e exigiram publicamente que a peça não fosse encenada no Burgtheater, em Viena. Waldheim, ainda presidente, chamou a obra de "um insulto grosseiro ao povo austríaco".[142]

Comissão Histórica e questões jurídicas pendentes

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A SS realiza uma batida em um centro comunitário judaico em Viena, março de 1938

Na República Federal da Alemanha, a Vergangenheitsbewältigung ("acerto de contas com o passado") foi parcialmente institucionalizada nos âmbitos literário, cultural, político e educacional. A Áustria criou em 1998 uma Historikerkommission[143] ("Comissão de Historiadores" ou "Comissão Histórica") com o mandato de examinar o papel da Áustria na expropriação nazista de propriedades judaicas a partir de uma perspectiva acadêmica, e não jurídica, em parte como resposta às críticas persistentes à forma como o país tratava reivindicações patrimoniais. Sua composição baseou-se em recomendações de várias fontes, entre elas Simon Wiesenthal e o Yad Vashem. A comissão apresentou seu relatório em 2003.[144] O conhecido historiador do Holocausto Raul Hilberg recusou-se a participar da comissão e, em uma entrevista, apresentou fortes objeções tanto em termos pessoais quanto a respeito de questões mais amplas de culpa e responsabilidade austríacas, comparando o que considerava uma atenção relativamente pequena do Congresso Judaico Mundial ao acordo relativo aos ativos em bancos suíços de pessoas mortas ou deslocadas pelo Holocausto.[145]

O Centro Simon Wiesenthal continuou a criticar a Áustria — ainda em junho de 2005 — por sua alegada relutância histórica e persistente em conduzir energicamente investigações e processos contra nazistas por crimes de guerra e crimes contra a humanidade desde a década de 1970. Seu relatório de 2001 apresentou a seguinte caracterização:

Dada a ampla participação de numerosos austríacos, inclusive nos mais altos escalões, na implementação da Solução Final e de outros crimes nazistas, a Áustria deveria ter sido uma líder na persecução dos responsáveis pelo Holocausto ao longo das quatro últimas décadas, como ocorreu na Alemanha. Infelizmente, relativamente pouco foi alcançado pelas autoridades austríacas a esse respeito e, de fato, com exceção do caso do Dr. Heinrich Gross, suspenso neste ano em circunstâncias altamente suspeitas — ele alegou não ter condições médicas, mas fora do tribunal demonstrou estar saudável —, nenhum processo por crimes de guerra nazistas foi realizado na Áustria desde meados da década de 1970.[146]

Em 2003, o Centro lançou uma iniciativa mundial denominada "Operation: Last Chance" para reunir mais informações sobre nazistas ainda vivos que pudessem ser processados. Embora relatórios publicados pouco depois atribuíssem à Áustria a abertura de investigações em grande escala, houve um caso recente que gerou críticas às autoridades austríacas: o Centro incluiu o croata Milivoj Ašner, então com 92 anos, em sua lista dos dez mais procurados de 2005. Ašner fugiu para a Áustria em 2004, depois que a Croácia anunciou que investigaria crimes de guerra nos quais ele poderia ter estado envolvido. Diante das objeções à permanência de Ašner em liberdade, o governo federal austríaco aguardou pedidos de extradição da Croácia ou medidas do Ministério Público de Klagenfurt, alegando em 2008 que ele sofria de demência. Milivoj Ašner morreu em 14 de junho de 2011, aos 98 anos, em seu quarto numa casa de repouso da Caritas em Klagenfurt.

Região dos Sudetas

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A ocorrência da crise dos Sudetas no início de 1938 levou, no outono, ao Acordo de Munique, após o qual a Alemanha Nazista ocupou a Região dos Sudetas. Considerados em conjunto, esses acontecimentos podem ser vistos como uma repetição do modelo do Anschluss no método de Hitler.[147][148]

Líderes políticos e militares austríacos na Alemanha Nazista

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Ver também

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  1. antes da reforma ortográfica alemã de 1996
  2. Depois que o Estado-nação alemão dominado pela Prússia foi criado em 1871 sem a Áustria, a questão alemã permaneceu muito presente na maior parte das terras de população alemã dos impérios Austro-Húngaro e Alemão; os pangermanistas austríacos defendiam uma visão pangermânica na qual a Áustria se uniria à Alemanha para criar uma "Grande Alemanha", enquanto alemães dentro do Império Alemão defendiam a unificação de todos os alemães em um único Estado.[3]
  3. Hitler era etnicamente alemão, mas não era cidadão alemão de nascimento, pois havia nascido no Império Austro-Húngaro. Renunciou à cidadania austríaca em 1925 e permaneceu apátrida por sete anos, até se tornar cidadão alemão em 1932.[30]
  4. Albert Speer recordou os austríacos comemorando enquanto veículos alemães entravam no que até então fora uma Áustria independente.[65]

Referências

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Leitura adicional

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  • Parkinson, F., ed. Conquering the Past: Austrian Nazism Yesterday and Today (Wayne State University Press, 1989). ISBN 0-8143-2054-6.
  • Pauley, Bruce F. Hitler and the Forgotten Nazis: A History of Austrian National Socialism (University of North Carolina Press, 1981). ISBN 0-8078-1456-3.
  • Rathkolb, Oliver. "The 'Anschluss' in the Rear-View Mirror, 1938–2008: Historical Memories Between Debate and Transformation", Contemporary Austrian Studies (2009), vol. 17, pp. 5–28.
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  • Gedye, George Eric Rowe. Betrayal in Central Europe. Austria and Czechoslovakia, the Fallen Bastions. New and revised edition. Harper & Brothers, New York, 1939. Reedição em brochura: Faber & Faber, 2009. ISBN 978-0-5712-5189-6.
  • Schuschnigg, Kurt. The brutal takeover: The Austrian ex-Chancellor's account of the Anschluss of Austria by Hitler (London: Weidenfeld and Nicolson, 1971). ISBN 0-2970-0321-6.

Ligações externas

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