Arenito
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| Rocha sedimentar | |
| Composição | |
|---|---|
| Composição essencial | Normalmente quartzo e feldspato; fragmentos lítico também são comuns. Outros minerais podem ser encontrados em arenitos particularmente maduros. |
| Características físicas | |
| Cor | avermelhada |

Arenito,[1] ou também chamado grés (ou grês), é uma rocha sedimentar que resulta da compactação e litificação de um material granular da dimensão das areias. O arenito é composto normalmente por quartzo, mas pode ter quantidades apreciáveis de feldspatos, micas e/ou impurezas. É a presença e tipo de impurezas que determina a coloração dos arenitos; por exemplo, grandes quantidades de óxidos de ferro,[desambiguação necessária] fazem esta rocha vermelha. O arenito é usado em diversas construções civis.
O arenito é depositado em ambiente continental, nos rios e lagos, ou em ambiente marinho, em praias, deltas ou nas sequências turbidíticas do talude continental.[2]
Os arenitos são rochas lapidificadas constituídas por areias aglutinadas por um cimento natural, que geralmente caracteriza a rocha. São rochas também designadas por grés e muitas vezes são classificadas pela natureza do cimento. Os arenitos argilosos têm um cimento constituído por argilas.[3]
Os arenitos calcários são fundidos por rochas magmáticas e granito de cimento, em geral, de carbonato de cálcio (calcite) fazer efervescência fácil com os ácidos. Se o cimento do arenito for dolomite (carbonato de cálcio e magnésio) a efervescência é menos nítida.
Economicamente, o arenito pode ter interesse se for associado a jazidas minerais do tipo plácer, onde os metais interessantes se depositam como os grãos de areia, integrando depois o arenito.
No Brasil, o arenito é muito estudado em diversas formações geológicas, especialmente na Bacia do Paraná, onde ocorrem importantes depósitos sedimentares. A composição e a textura do arenito podem fornecer informações sobre a história geológica da Terra, como a origem dos sedimentos e o ambiente de deposição.[4]
Em Sapucaia do Sul, município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, próximo a Porto Alegre, há uma grande mineração de arenito, pedras que são extraídas, recortadas e que servem à construção civil, como pedras de alicerce. O arenito encontrado naquela região é do tipo eólico, pertencente à Formação Botucatu. Formou-se pela compactação de areias de um vasto deserto arenoso que existiu onde é hoje a América do Sul no período Triássico e que foi coberto pelas lavas basálticas da Formação Serra Geral.
Os arenitos são rochas silicosas sedimentares, constituídos por grãos de sílica ou quartzo, ligados por cimento silicoso, argiloso ou calcário. São empregados em revestimentos, resistindo bem aos ataques de agentes agressivos da atmosfera.
Origens
[editar | editar código]Os arenitos são de origem clástica (em oposição à origem orgânica, como o giz e o carvão, ou química, como o gesso e o jaspe).[5] Os grãos de areia de silicato a partir dos quais eles se formam são o produto do intemperismo físico e químico da rocha matriz.[6] O intemperismo e a erosão são mais rápidos em áreas de alto relevo, tais como arcos vulcânicos, áreas de rifte continental e cinturões orogénicos.[7]
A areia erodida é transportada por rios ou pelo vento das suas áreas de origem para ambientes de deposição, onde a tectónica criou espaço de acomodação para a acumulação de sedimentos. Bacias de ante-arco tendem a acumular areia rica em grãos líticos e plagioclásio. Bacias intracontinentais e grábens ao longo de margens continentais também são ambientes comuns para a deposição de areia.[8]
À medida que os sedimentos continuam a se acumular no ambiente de deposição, a areia mais antiga é sepultada por sedimentos mais jovens e passa por diagénese. Isso consiste principalmente na compactação e litificação da areia.[9][10] Os estágios iniciais da diagénese, descritos como eogénese, ocorrem em profundidades rasas (poucas dezenas de metros) e são caracterizados por bioturbação e mudanças mineralógicas nas areias, com apenas uma leve compactação.[11] A hematita vermelha que confere aos arenitos de camadas vermelhas a sua cor é provavelmente formada durante a eogénese.[12][13] O sepultamento mais profundo é acompanhado pela mesogénese, durante a qual ocorre a maior parte da compactação e litificação.[10]
A compactação ocorre à medida que a areia fica sob pressão crescente dos sedimentos sobrejacentes. Os grãos de sedimento movem-se para arranjos mais compactos, grãos dúcteis (como os grãos de mica) são deformados e o espaço dos poros é reduzido. Além desta compactação física, a compactação química pode ocorrer por meio de dissolução por pressão. Os pontos de contato entre os grãos estão sob maior tensão, e o mineral sob tensão é mais solúvel do que o resto do grão. Como resultado, os pontos de contato são dissolvidos, permitindo que os grãos entrem em contato mais próximo.[10]
A litificação segue-se de perto à compactação, à medida que o aumento das temperaturas em profundidade acelera a deposição de cimento que une os grãos. A dissolução por pressão contribui para a cimentação, pois o mineral dissolvido dos pontos de contato sob tensão é redepositado nos espaços de poros não tensionados.[10]
A compactação mecânica ocorre principalmente em profundidades inferiores a 1 000 metros (3 300 ft). A compactação química continua até profundidades de 2 000 metros (6 600 ft), e a maior parte da cimentação ocorre em profundidades de 2 000–5 000 metros (6 600–16 400 ft).[14]
A exumação do arenito sepultado é acompanhada pela telogénese, o terceiro e último estágio da diagénese.[11] À medida que a erosão reduz a profundidade do sepultamento, a exposição renovada à água meteórica produz alterações adicionais ao arenito, como a dissolução de parte do cimento para produzir porosidade secundária.[10]
- Estratificação cruzada e marca de erosão em arenito da Formação Logan (Carbonífero Inferior) do Condado de Jackson, Ohio
- Interior de arenito vermelho do Lower Antelope Canyon, Arizona, desgastado e polido pela erosão de inundações repentinas ao longo de milhares de anos
Referências
[editar | editar código]- ↑ «Arenito». Departamento de Petrologia e Metalogenia - IGCE/UNESP. Consultado em 23 de fevereiro de 2014. Arquivado do original em 4 de abril de 2014
- ↑ FERNANDES & BORGHI (2011). Geologia Sedimentar: Processos e Ambientes. Rio de Janeiro: [s.n.] pp. 89–112
- ↑ SUGUIO, Kenitiro (2003). Geologia Sedimentar. São Paulo: [s.n.]
- ↑ MILANI, Edson José (1998). A Bacia do Paraná e o Vulcanismo Mesozoico. Geologia do Brasil. Rio de Janeiro: [s.n.] pp. 97–105
- ↑ "A Basic Sedimentary Rock Classification", L.S. Fichter, Department of Geology/Environmental Science, James Madison University (JMU), Harrisonburg, Virginia, October 2000, JMU-sed-classif Arquivado em 23 julho 2011 no Wayback Machine (accessed: March 2009): separates clastic, chemical & biochemical (organic).
- ↑ Leeder, M. R. (2011). Sedimentology and sedimentary basins : from turbulence to tectonics 2nd ed. Chichester, West Sussex, UK: Wiley-Blackwell. pp. 3–28. ISBN 9781405177832
- ↑ Blatt, Harvey; Tracy, Robert J. (1996). Petrology : igneous, sedimentary, and metamorphic. 2nd ed. New York: W.H. Freeman. pp. 241–242, 258–260. ISBN 0716724383
- ↑ Blatt and Tracy 1996, pp. 220–227
- ↑ Blatt and Tracy 1996, pp. 265–280
- 1 2 3 4 5 Boggs 2006, pp. 147–154
- 1 2 Choquette, P.W.; Pray, L.C. (1970). «Geologic Nomenclature and Classification of Porosity in Sedimentary Carbonates». AAPG Bulletin. 54. doi:10.1306/5D25C98B-16C1-11D7-8645000102C1865D
- ↑ Walker, Theodore R.; Waugh, Brian; Grone, Anthony J. (1 janeiro 1978). «Diagenesis in first-cycle desert alluvium of Cenozoic age, southwestern United States and northwestern Mexico». GSA Bulletin. 89 (1): 19–32. Bibcode:1978GSAB...89...19W. doi:10.1130/0016-7606(1978)89<19:DIFDAO>2.0.CO;2
- ↑ Boggs 2006, p. 148
- ↑ Stone, W. Naylor; Siever, Naylor (1996). «Quantifying compaction, pressure solution and quartz cementation in moderately-and deeply-buried quartzose sandstones from the Greater Green River Basin, Wyoming». Special Publications of SEPM. Consultado em 2 outubro 2020